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A escrita é o meu aborrecimento

Nem todo mundo sente o prazer da leitura de um texto bem escrito. Digo isto por experiência própria. Só uma pessoa na minha família de quase cinquenta pessoas têm uma ligação com a palavra escrita assim como eu. Minha avó materna, noventa e dois anos, é uma leitora compulsiva. Foi ela quem me deu meu primeiro livro de presente. Ela também que me deu meu primeiro dicionário quando eu estava com dificuldade de escrever as redações do colégio. E ela, neste meu último aniversário, me deu o melhor livro da pilha de presentes: Grande Sertão Veredas.

Talvez por ter cuidado de mim na infância e me ensinado a gostar de estudar, minha avó virou uma personagem na minha primeira novela. A história contava a solidão de uma garota de catorze anos que não tinha amigos e vivia com a avó, porque tinha perdido os pais num acidente de avião. Meus pais estão vivos, eu tenho uma irmã mais nova que cresceu comigo, mas não sei porque sempre me vi como alguém sozinha acompanhada às vezes da avó. A história parecia um drama de John Green e por isso mesmo desisti de escrevê-la.

Eu tinha meio livro e não sabia como terminar. Achava que tudo estava muito piegas e acreditava que, por minha pouca experiência, não conseguiria terminar nada bom. Disse para mim mesma que só escreveria quando tivesse algo a dizer de verdade, e se isso só acontecesse após sessenta anos, que fosse. Mas não deu para esperar mais do que quinze. Hoje, mais por necessidade do que por paixão, me arrisco nuns contos fuleiros no Medium e continuo me odiando por isso.

A escrita deixou de ser uma companhia e passou a ser uma forma de conseguir seguir em frente. A autocrítica limitadora me fez escrever apenas o necessário para tirar as angústias do peito, e por isso, até tenho dificuldade de escrever quando estou feliz. Escrever uma piada, então, é praticamente impossível. O que é uma pena porque história sem um pouco de graça não tem açúcar, e eu amo doce. Meu sonho era escrever algo como Fleabag com piadas certeiras e um drama absurdo que faz a gente querer fechar a página para não ter que ler e voltar à página porque não consegue deixar o livro de lado. Mas eu não consigo nem tentar direito.

Na esperança de me obrigar a sair do lugar, neste ano de reclusão me inscrevi em diversos cursos de escrita para que fosse obrigada a reler e editar meus textos. No último curso de conto fiquei um mês sofrendo para entregar alguma coisa que preste. No entanto, após a surpresa do autocontrole por lidar com a avaliação de uma forma bem madura e desapegada, ignorei todas as notas do professor e dos outros alunos sobre meu texto final e ainda não fiz as alterações necessárias. Pensei em inscrever o conto em algum concurso, mas receio que ele não alcançará nem mesmo o triste fim do Medium.

Léxico familiar em tempos de pandemia

Sempre que vê uma coisa engraçada e fora do comum, minha mãe tem costume de dizer “que miséria!”. Aprendeu com uma amiga do ex-trabalho e passou para eu e minha irmã como se fosse uma gripe. Por impulso, a gente repete as mesmas palavras fora do ambiente familiar e a exclamação divertida causa estranheza por estar associada a uma palavra tão triste. Quem não tem o costume, só depois entende que é para rir.

Comecei a prestar atenção nessas palavras que só tem significado para meu grupo íntimo quando terminei a leitura de Léxico Familiar de Natalia Ginzburg (que li para o clube da pós de escrita).

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A campanha institucional da Netflix é uma aula de propaganda e storytelling

A Netflix lançou uma campanha institucional global para divulgar suas produções próprias e marcou um golaço de publicidade e storytelling.

Não é novidade para ninguém que a marca tem os melhores conteúdos das redes sociais, que batem todos os níveis de engajamento, mas também ajudam a fortalecer a cultura e a narrativa da empresa.

Agora eles levaram tudo isso para o mundo físico e o fizeram com maestria.

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Isso é só para dizer

Hoje é aniversário do poeta americano William Carlos William, cujo trabalho eu admito envergonhada que conheço apenas o seu poema mais famoso. Ele escreveu This is just to say como quem deixa um recado na mesa da sala para a esposa e a “nota” é um exemplo maravilhoso de pequenas vinganças que surgem num relacionamento. Vou tomar a ousadia de fazer uma tradução, mas aqui o link do original.

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“Clientes do digital só querem comprar promoção”

Domingo passado, enquanto assistia Pequenas Empresas e Grandes Negócios na televisão, eu dei uma boa risada. Numa matéria sobre empresas que migraram de lojas físicas para digital, por conta da pandemia, um entrevistado comentou que nessa mudança notou que “os clientes do digital só querem comprar coisa em promoção” e que agora ele tem que inventar novas promoções o tempo todo. E é isso mesmo.

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