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Café e Cultura

O Solar Café e o Feito a Grão cativam um público exigente, em busca de conhecimento e cardápios diferenciados.
Por Larissa Seixas e Vinícius Silva

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Foto: Rômulo Portela

Depois do almoço, na hora do lanche ou acompanhado de uma boa leitura, o café reina como uma das paixões nacionais. Mas não é só na produção da semente que o país se destaca. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), são consumidas cerca de 314 milhões de xícaras da bebida por dia. Um número que coloca o Brasil como o segundo país que mais consome café no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Um novo mercado de café espresso (escrito com “s”, de “espremido” e não de “rápido”) passou a ser desenvolvido há 15 anos. Mesmo sendo o maior exportador e produtor da bebida no mundo, o Brasil só começou a apreciar o café de qualidade nos anos 2000, e a Bahia a partir de 2006. Antes, o grão de primeira categoria era exportado para países do norte da Europa, Japão e Estados Unidos.

Quando o mercado interno percebeu a oportunidade do café especial, começaram a surgir novas cafeterias, cursos de especialização de baristas e até concursos de quem faz o melhor café. Atualmente, esse nicho representa 5% do total do faturamento da indústria cafeeira nacional, e abre oportunidades para a expansão de cafeterias dos mais diferentes formatos, para todos os tipos de público.

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Georgia Szperor, sócia do Feito a Grão. Foto: Rômulo Portela

Alinhando o gosto por cafés especiais a espaço calmo e rodeado por livros, a cafeteria Feito a Grão iniciou os trabalhos há cinco anos e acompanhou o crescimento do café especial em todo o Nordeste.

A expansão da empresa começou quando a rede Saraiva comprou as Livrarias Siciliano. O então diretor de novos negócios da livraria visitou diversas cafeterias em shoppings de Salvador até encontrar o Feito a Grão. Georgia Szperor foi quem idealizou o café junto com o marido. Sobre a escolha da Saraiva, ela explica: “Quando ele visitou o Shopping Itaigara, sentou no Feito a Grão e gostou da proposta. A nossa equipe estava bem treinada para falar sobre a novidade dos cafés especiais para o público soteropolitano. Foi então que recebemos o convite para abrirmos uma filial dentro da primeira Saraiva no Nordeste, que seria inaugurada no Salvador Shopping”.

A oportunidade serviu para expandir os negócios, que passou a receber não somente o público apreciador de café, mas também pessoas que frequentam ou passeiam pela livraria e param para fazer algum lanche. “Para nós, é fantástico estar em um ambiente cultural. É um público diferenciado, apaixonado por novos conhecimentos, que curte café, leitura, cinema e teatro”, exalta Georgia.

Para a empreendedora, este é um mercado que vai continuar crescendo. “Estamos apostando nisso, pois já temos nove lojas Feito a Grão, sendo quatro em Salvador, uma em Recife, outra em Aracaju e mais três em São Paulo”. Ela e seu marido já têm planos de futuramente franquiar a marca.

Solar Café

A mesma atmosfera cultural está presente para quem visita o Solar Café, nas filiais do Museu de Arte Moderna (MAM) e do Palacete das Artes, em Salvador. Aberto em 2008, a partir de um convite do MAM, o Solar vai além dos drinques de café requintados, e passa pela gastronomia contemporânea e bom gosto em design, de quem sabe aproveitar a vista da Baía de Todos os Santos, o que transforma o espaço em algo intimista e aconchegante. “O projeto era temporário, mas percebemos que havia uma forte demanda ao unirmos um espaço gastronômico a um centro cultural”, explica Maíra D’Oliveira, uma das sócias-gerentes do Solar Café.

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Foto: Rômulo Portela

A mesma preocupação rege a filial instalada no Palacete das Artes, no bairro da Graça, que abriga as obras do artista francês Auguste Rodin. Uma das preocupações das empresárias é aproveitar o potencial da localização cultural e estabelecer um diálogo entre o formato do café e a equipe do museu.

“Tanto no Palacete das Artes quanto no MAM, nós treinamos nossos funcionários para saberem das exposições e as atrações que estão sendo realizadas no momento. Eles visitam e assistem para conhecer e também divulgar aos clientes que frequentam o Solar Café”, explica Maíra.

Normalmente, turistas internacionais e alunos em excursão são os clientes que mais frequentam ambos os espaços. No entanto, Maíra garante que 60% do público é local. “No Museu Rodin, a maioria dos frequentadores mora nos bairros próximos ao Palacete. Isso cria certa fidelidade e estabilidade nas visitas”, complementa a sócia Andréa Nascimento.

Para elas, o público de Salvador está cada vez mais exigente, e essa demanda possibilitou o crescimento do negócio há alguns anos. Ao unir o charme do espaço com a qualidade do cardápio, o café atende a vários clientes e momentos, seja uma reunião no almoço, em um lanche à tarde, ou um romance à noite.

*Matéria publicada originalmente na Revista [B+]

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