• Crônicas

    Alguém igual

    Sem conseguir dormir, Flavinha passeava pelo feed do Instagram às duas da madrugada, quando se deparou com um meme que lhe provocou uma gargalhada desgovernada. Queria compartilhar com alguém, mas quem? Ultimamente estava bastante afastada das amigas da faculdade, só trabalhava e voltava para casa. Sua mãe não iria entender. Seu namorado poderia levar para o lado pessoal. Ficou angustiada, não tinha para quem enviar a piada. Acabou mandando para uma colega de trabalho com quem se dava ultimamente e compartilhava o mesmo humor. Não eram próximas, mas ela riria. Foi aí que a madrugada pareceu não ter fim. A moça pensou que volta e meia sentia-se sozinha, por mais…

  • Contos

    Quando Watson seguiu em frente

    Em determinado momento das histórias de Conan Doyle, Watson sai do apartamento 221 B na Baker Street para se casar com a noiva Mary, e nesses dias me peguei pensando, esse deve ter sido um momento bastante sofrido para Sherlock. Fico tentando imaginar como lidou com a mudança que estava por vir. Aposto que passou dias criando armadilhas por todo apartamento como forma de se vingar do abandono do amigo, que queria seguir a vida sem a sua presença diária em benefício da nova esposa. Na minha cabeça, Sherlock passou dias escondendo pertences de Watson, sempre que pensava no que estaria por vir. Certa feita o médico passou horas procurando…

  • Contos

    O desespero é contagioso

    Quem nunca foi levado ao desespero pelo contágio de outra pessoa não sabe o que é arrepio na espinha. Porque uma coisa é você se sentir desesperado e ter alguém que lhe conforte, outra completamente diferente é você ser levado ao desespero pela pessoa que te serve de base emocional. Frequentemente esse contágio se dá entre casais, amigos ou parentes que dividem muitos momentos juntos. Invariavelmente, a pessoa que é a base emocional da relação não consegue segurar o desespero o tempo todo e a contaminação é certa. Se não houver alguém que tome as rédeas da situação, todos estamos perdidos. Júlia e Pedro estavam juntos há três anos. Ele…

  • Crônicas

    Cinema

    Entrar numa sala de cinema nunca é uma decisão que eu tomo de forma displicente. Primeiro porque o ingresso não é barato, segundo porque os dias e as noites estão tão corridos que não posso mais me dar o luxo de gastar duas horas da minha vida numa bobagem. Tem que ter um propósito. E, invariavelmente, as minhas ultimas idas ao cinema têm apenas um propósito: me distrair. Eu não escolho mais assistir filmes tristes. Eu não escolho mais filmes dramáticos cotados ao Oscar. Eu quero aquele filme comédia romântica que vai me fazer ficar nas nuvens por uma hora e meia. Eu quero aquele filme de magia que vai…

  • Crônicas

    Situações

    Há acontecimentos que nos prendem a situações insuportáveis, das quais queremos fugir mas nunca conseguimos. Certa feita, na tentativa de conseguir realizar algo que eu queria muito, precisei vender a minha alma ao diabo para conseguir. Agora pago em parcelas de agonia e desencanto cada vez que me vejo presa à mesma situação. O diabo, que antes se fingiu preocupado e atencioso comigo, agora ri escondido a cada nova queixa minha e responde “tudo vai se resolver”. Eu me resigno a aceitar ao que me sujeitei e aguardo o tempo passar até que minha dívida esteja quitada.