‘Normal People’ é um romance épico com intimidade de tirar o fôlego

Texto publicado originalmente em Sob a Minha Lente

Seria fácil dizer que a quarentena já me fez assistir Normal People duas vezes, não fosse a minha vontade de deixar de trabalhar, de cozinhar e de tomar banho para deitar debaixo da minha coberta e assistir mais e mais. A história de paixão, amor e amizade entre Marianne e Connell é o escape perfeito para qualquer realidade, antes mesmo da loucura da pandemia começar.

Marianne é uma ótima aluna, porém arredia, que não faz questão de se encaixar nas convenções da sua comunidade. Connell é o primeiro da turma, mas é também popular e tem medo de perder a aceitação dos amigos. Mas é fora do ambiente escolar – a mãe de Connell trabalha limpando a casa da família de Marianne – que eles desenvolvem um forte relacionamento.

O livro de Sally Rooney fez enorme sucesso já no lançamento, em 2018, mas a direção de Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack), na primeira metade da série, e Hettie Macdonald (Howards End), na segunda metade, trazem uma atmosfera íntimista, sutil e natural para a história. A espontaneidade passada já nas primeiras cenas de sexo, muitas vezes filmada em primeiríssimo plano, com conversas íntimas entre os personagens, são alguns dos momentos mais doces e bonitos da série.

Outro pilar essencial para uma produção tão excelente é a atuação brilhante de Daisy Edgar-Jones e de Paul Mescal, que fazem a história saltar da tela. Até o episódio final somos hipnotizados a conhecer mais sobre o amadurecimento dos dois personagens ao passarem por dilemas sociais e psicológicos. Parafraseando Sally Rooney, “não é assim com as outras séries”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *