Crônicas,  Cultura

Meu companheiro, O Pintassilgo

Dia desses vi num teste do Buzzfeed o nome de um livro que meu marido tinha na estante, e prontamente peguei para ler sem saber do que se tratava, O Pintassilgo. Como estou de férias all by myself, o livro virou minha companhia inseparável durante uma semana, ocupando o lugar do trabalho, um respiro em meio ao monte de nadas para fazer. Com ele vivi momentos angustiantes e muito felizes, fiquei melhor amiga-platônica de Theo, sofri pelas situações difíceis que a vida o colocava, torci para que conseguisse encontrar um lar ou alguém que lhe trouxesse apoio e condições de levar a vida de forma limpa.

Mas também o livro foi, para mim, meio que um exercício masoquista. Diferente do que foi para o personagem, eu sempre achei importante se manter nos trilhos mesmo que isso signifique a chatice, o tédio, a depressão. Eu sabia disso desde os treze anos, na mesma idade em que os eventos começam a acontecer com o garoto. E ele também parecia saber ou ter alguma noção do certo/errado, bom/ruim, saudável/morte, mas de alguma forma não buscava o equilíbrio – eu já o buscava desde nova.

Acho que, de alguma forma, era isso o que Donna Tartt, a autora, estava buscando: escrever uma história para mostrar como as experiências que vivemos nos ajudam a formar um caráter e entender como levar a nossa vida. Olhando por outro ângulo, a história me deu a oportunidade de “presenciar” situações que eu jamais vivenciaria, mesmo porque nunca sofri com os traumas de uma violência que me tirasse a minha sustentação familiar. Pensando assim, me sinto afortunada.

Mal posso esperar para ver a versão cinematográfica do livro, O Pintassilgo deve estrear em 10 de Outubro aqui no Brasil, com Ansel Elgort (Theo), Jeffrey Wright (Hobie), Nicole Kidman (Mrs Barbour) e Sarah Paulson (Xandra). Enquanto tirava uma folga das 722 páginas (o livro pode ser cansativo quando os períodos de angústia de Theo se tornam páginas de blocos de caracteres) e buscava spoilers para conter a minha ansiedade, fiquei buscando imagens das filmagens e outras informações na internet. Fiquei curiosa para saber quanto do livro vai estar na tela e como eles vão fazer para “terminar” a história. Fora que ver o filme vai ser uma nova chance de eu encontrar meu amigo novamente.

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