Histórias de amor moldam a gente

Na última edição da newsletter Women Who (que tem ótimas dicas de aperfeiçoamento profissional para mulheres) eu conheci a escritora inglesa Dolly Alderton e seu podcast Love Stories. A proposta da série de entrevistas é conversar com personalidades sobre como os relacionamentos que elas viveram moldaram suas vidas. Como eu adoro uma DR, eu achei o título do podcast bastante sugestivo e comecei logo a ouvir. O primeiro episódio foi com a atriz e amiga da entrevistadora Vanessa Kirby (a ~perfeita~ Margareth de The Crown, Netflix).

Nesse podcast, Vanessa fala muito sobre como a intimidade é um combustível para os relacionamentos; sobre como amizades, relações entre familiares, namoros e casamentos são construídos sob a base da confiança que advém da intimidade. Ela acredita que quando a intimidade entre duas pessoas se torna tão forte que elas se permitem confiar mesmo sabendo que o outro vai decepcionar em algum momento. E mesmo decepcionando, quando amor resultado dessa intimidade é maior do que a decepção, faz com que a pessoa fique e se mantenha na relação.

Mas Vanessa também pontua que para ser íntimo de alguém é preciso se conhecer intimamente, saber o que você é e o que você quer para a sua vida, até para encontrar outra pessoa que esteja de acordo com a sua busca. “Para estar ao lado de alguém que está de pé, você precisa estar de pé. Assim como para estar do lado de alguém que está sentado, você precisa estar sentado”, ela fala.

Eu achei essa conversa entre amigas muito bonita porque foi muito sincera e ressonou em coisas que eu também acredito. Enquanto ouvia fiquei pensando em quantas vezes eu buscava intimidade com pessoas que não estavam de acordo com o meu mundo e o quanto eu sofri por isso. Na escola, na faculdade, no trabalho. Eu buscava fazer amizades mas eu não me conectava com as pessoas. Muitas vezes porque eu não sabia o que estava procurando ou não sabia que ali não era o lugar de encontrar o que eu queria.

Ao mesmo tempo, pensando rapidamente na minha história de vida, em pelo menos três momentos eu encontrei pessoas com quem tive facilidade de criar intimidade e estão presentes em mim até hoje, mesmo que à distância. Uma grande amizade aconteceu na escola e eu a encontrei enquanto procurava constantemente em muitas outras pessoas que não eram o que eu buscava, o que me deu uma grande alegria de descoberta. O primeiro amor correspondido eu encontrei quando não estava mais a fim de procurar e resolvi dar uma chance a uma amizade que estava ao meu lado, o que hoje vejo foi muita sorte porque me deu a felicidade de um casamento. A mais recente amizade se deu com a minha dupla no trabalho, que virou família e já mudou de emprego quando encontrou outra oportunidade.

Todos esses encontros me decepcionaram de alguma forma, mas a intimidade e o amor de cada relação criaram elos que não me deixaram fugir e eu aprendi a lidar com as decepções para poder continuar. No episódio, Vanessa conta que também aprendeu a lidar com suas decepções encontrando força no autoconhecimento. “Ninguém pode te fazer sentir nada, apenas você pode decidir como se sentir”, ela explica, e eu concordo. Mas para mim, é preciso de uma dose de autoconfiança, para chegar nessa descoberta de que ninguém precisa do outro para ser feliz, precisa apenas de si mesmo. Acho que tem a ver com você se conhecer tanto a ponto de entender que não é aquela pessoa em especial que torna você ou o seu dia a dia mais feliz, é você mesmo.

No fim das contas você vive momentos de felicidade porque encontrou aquilo que buscava – e a vida é isso aí, uma eterna busca. Então, quando essa felicidade vai embora você tem que encontrar outros motivos… seja buscando o novo, quando se está só, ou buscando o equilíbrio, quando se está acompanhado.

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