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Fleabag é meu spirit animal

Em dois dias eu assisti às duas temporadas de Fleabag, disponíveis na Amazon Prime e no Youtube, e fiquei encantada. A série conta a história de uma mulher de espírito livre que não obedece as regras impostas ao feminino (bela, recatada e do lar) passando por problemas econômicos e de relacionamento após a morte da sócia/melhor amiga. Tanto drama vem também carregado de muito humor e faz com que seja fácil que o espectador se identifique com Fleabag (personagem criado e estrelado pela britânica Phoebe Waller-Bridge).

Eu não comprei a história de primeira, em parte porque já tinha assistido Girls e todas aquelas cenas de sexo/exposição de corpo desnecessárias e parte porque virginiany e pouca flexibilidade moral. Não lido bem com personagens que sacaneam em benefício da trama, para mim um “erro” por si só não é motivo para nortear uma história. Errar é humano, mas burrice tem limite, geralmente aquele em que você se deixa errar porque é, sim, um escroto. E é bem aí onde está a inteligência da série.

Fleabag é uma escrota que se permite ser, e por isso está lidando com as consequências como adulta, sem se fazer de vítima ou diminuir sua culpa. E quando foi possível uma mulher viver dessa forma sem ser julgada? Só na televisão. Na primeira temporada, há uma cena em que Fleabag se masturba enquanto assiste um discurso de Barack Obama, com o namorado ao lado dormindo (!). Todo mundo tem pensamentos eróticos obscuros que tenta ocultar até para si mesmo, e assistir uma mulher agir assim “fora da lei” do macho alfa é maravilhoso.

As mina pira nessa personagem que faz o que der na telha sem se importar com o que os outros pensam, eu com certeza. Num mundo em que querem controlar o que a gente come, veste, fala, escreve… Fleabag é o nosso spirit animal. Inclusive, em homenagem a ela, neste texto tomei a liberdade de escrever palavrões.

“Jantar em família esquisito”, leia a transcrição em português aqui.

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