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Entre o êxtase e o desespero

Written by

Larissa Seixas

Depois de três dias verificando se ele tinha realmente engolido um pedaço de vidro, meu espírito pode se entregar novamente.


Hoje sonhei que usava uma ferramenta desconhecida para aparar a sobrancelha e, ao fim, o pelo ficou tão ralinho quanto o de um rato recém-nascido, deixando à mostra uma anomalia antes escondida. No pai dos burros (Google), alguém diz que tenho preocupações sobre o que os outros pensam de mim. Faz sentido.

Ontem assisti Orgulho e Preconceito mais uma vez, como um chá que tomo contra a desesperança. Já perdi as contas de quantas vezes revi o filme nessa quarentena sem fim. Mas também não importa. O que importa é que a droga continua fazendo efeito.

Esses dias eu estou menos ansiosa porque Pepe parou de me atormentar comendo coisas pontiagudas e bichos que encontra pelo chão. Depois de três dias verificando se ele tinha realmente engolido um pedaço de vidro, meu espírito pode se entregar novamente. Tê-lo por perto é viver alternando entre estados de êxtase e desespero. É amor demais para dar conta.

Nessa manhã tenho pensado que chique mesmo é gente segura. Gente que chega num lugar sem demonstrar ansiedade ou preocupação. Gente que diz “Por favor, eu vim aqui fazer um psicoteste” e não “Como é? Eu te digo o meu nome e aguardo me chamarem?”. Essa gente que na entrevista de emprego tem a fala calma e não vomita os pensamentos. Muito, muito chique.

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