Crônicas

Dias de alegria

Eu sonhei que a gente estava morando juntos e montando uma casa. A gente escolhia os móveis e como cada coisa ficaria disposta ali naquele apartamento alugado. Primeiro a gente trouxe a minha cama de casal, as nossas TVs e a sua coleção de canecas. Depois a gente comprou uma estante para a sala e os eletrodomésticos. Então, eu cozinhava e você lavava os pratos e elogiava a minha comida. A gente não tinha descanso. Todo dia era algo para arrumar e resolver da casa nova, mas a gente estava feliz.

Depois, no sonho, a gente se casou na Igreja e foi uma loucura. O padre falava umas coisas sem noção e pulava o roteiro do casamento; a gente ficava se olhando sem entender nada; uma hora eu lembrei: as alianças! E ele mandou entrar. Depois, na festa, todos os nossos amigos e familiares estavam presentes e foi outra loucura. A gente dançou Corinne Bailey Ray cantando Paul McCartney e, quando todo mundo já estava indo embora, também dançamos Radiohead. A gente estava felizão.

Então, dentro do sonho, eu sonhava umas bobagens. Foi quando eu senti medo, quando eu sonhei que me sentia distante da minha família enquanto você ainda tinha presente a sua. Acordei angustiada, sem entender o que estava acontecendo, e me dei conta de que a zoada que eu ouvia era você preparando o nosso café.

Eu ia ver meus pais naquela noite e no dia seguinte a gente ia para nossa “lua de mel” a.k.a. show do Radiohead – algo que eu nunca desejei ver na minha vida, mas você estava felizão. E eu só conseguia ficar agradecida por sonhar/viver assim, com você, dias de tanta alegria.

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