O DOCUMENTÁRIO DOS LOS HERMANOS E “SENTIMENTAL”

Em 2012, quando Los Hermanos voltou a Salvador para fazer um show na Concha, após um hiato de 5 anos, foi a primeira vez que eu fui num show da banda. A minha principal lembrança daquele dia foi quando tocou Sentimental e eu me acabei de chorar cantando a letra. Eu nunca fui fã dos Los Hermanos, meu único conhecimento da banda foi um The Greatest Hits que eu baixei na internet e ouvi seguidamente por algum tempo quando tinha 17 anos. Antes, aos 10, cantava Ana Júlia numa festinha do colégio, mas só.

Achava aquele povo que curtia a banda muito roots, hipster, hippie, qualquer uma dessas definições de gente que usa roupa gasta e chinelos para todos cantos que vá. E nunca fui groopie de ninguém, um monte de menina junto gritando por um carinha me dá nervoso de uma forma que não quero nem entrar em detalhes. Mas eu fui fã dos Los Hermanos por um dia.

Na verdade comecei a conhecer mais da banda depois que ela se desfez, Marcelo lançou dois discos solo e depois começou com a Banda do Mar, Amarante lançou Cavalo há pouco, e esse foi o disco que eu mais ouvi nesse ano. Não conhecia os nomes dos outros dois integrantes até ontem, quando fui assistir Los Hermanos: Esse é só o começo do fim das nossas vidas (você também achou o nome do doc muito tosco?).

O filme não é muito bom. É mal gravado, as imagens não têm muita qualidade, o áudio das conversas não foi isolado, os planos mostram uma despreocupação com a imagem que me incomoda, é “despretencioso” demais. Coisas que eu queria que fossem diferentes porque gosto muito de Maria Ribeiro, não vivo sem assistir Saia Justa, programa que ela participa.

Mas me tocou, de verdade. Acho que tem a ver com as músicas dos caras serem muito boas, com a simpatia de Amarante, com as ideias de Camelo, com os bastidores dos shows e com eu me ver (será?) ali no meio das luzes de Sentimental chorando feito uma condenada. Aquele show me pegou de verdade e eu imagino o que seria de mim se não tivesse esse “preconceito” com groopies e hippies. Saí da sessão muito nostálgica de uma época que não vivi, mas que foi bom pacas.

UMA PISTOLA EM CADA MÃO


O filme ‘Una pistola en cada mano’ fala sobre como os homens reagem aos problemas/ Foto: Divulgação

Todo mundo tem problema, mas nem todo mundo fala sobre isso. Algumas pessoas preferem guardar para si, num eterno engolir sapo e nunca resolver. A única explicativa é que se sentam incapazes de enfrentar, peferem a solidão e se deixam corroer por dentro à espera de algo ou alguém que lhes resolvam.Outras contam seus problemas a quem estiver por perto, e dão tão grande importância ao queixar que deixam os vizinhos de orelhas quentes e ansiosos para mudar de lugar. Essas geralmente te pegam em salas de atendimento médico, e ficam ali do seu lado por horas intermináveis, até que a atendente tenha a bondade de te livrar do suplício, e mandar um dos dois para o consultório.

Há aqueles que vão ao analista, e lá chorem todas as mágoas buscando explicação para uma vida conturbada, e quem sabe alguma ajuda que lhe mostrem o melhor caminho a seguir, apontem a direção rumo a resolução. Uma atitude sensata, mas viável ($) para poucos.

Nem tão sensatos assim são os subterfúgios em que muitos se metem na tentativa de esquecer os problemas. Bebidas, drogas, sexo são meios de preencher os vazios que os problemas nos trazem, mesmo que só por um momento. Levam a alma inquieta do fundo do poço ao ápice, em instantes, mas não livram a pobre alma de voltar aos mesmos problemas.

As pessoas mais sortudas (mulheres, principalmente) têm uma alma amiga a tira colo, que lhe passem confiança para contar os segredos mais obscuros e tentar, assim, encontrar algum conforto no dividir. No entanto, nem sempre essa alma amiga estará disponível, e é aí que se dá a merda.

Todos temos problemas, e todos somos sozinhos. Não importa o modo como lidamos com eles, sempre vamos viver em busca de um equilíbrio que nunca chega, porque sempre vamos querer mais e mais. Mas o modo como você passa pelos seus problemas diz muito sobre qualidade de vida que você tem.

Todos somos cowboys, com uma pistola em cada mão, enfrentando a insegurança que a vida nos entrega.