Na briga do Instagram com o Snapchat, quem vai sair ganhando?

Nesta terça-feira, 2 de Agosto, o Instagram atualizou seus serviços com algumas novidades. Agora a ferramenta possibilita que a gente publique fotos e vídeos que duram até 24 horas na timeline. Parece que tio Zuckerberg, injuriado por não poder ter comprado o Snapchat e não ficou satisfeito copiou as funções em seu aplicativo. Até o CEO da Instagram veio a público para afirmar a “inspiração”.

Agora dá para publicar fotos e vídeos com intervenções como textos, stickers e filtros. É bem verdade que o stories do Instagram ainda não possibilita filtros de identificação de rosto e geolocalização, mas deve ser só uma questão de tempo.

Mas e o que será que vai acontecer com o Snapchat? Será que ele vai sumir do mapa?
Bom, eu acho que não. Afinal, o que realmente some da internet?

Outros aplicativos já experimentaram esse sucesso e explosão em número de usuários e foram copiados por redes mais genéricas (menos nicho), como é o caso do Facebook que criou lives após o sucesso do Periscope. É o acontece no mercado das mídias, onde uma mídia vai evoluindo e se apropriando das outras. Isso não quer dizer que o Periscope morreu (como eu escrevi em um post há algumas semanas), o Twitter dono do Periscope vem criando parcerias para movimentar a plataforma – uma delas com o Radiohead. A banda está incentivando seus fãs a utilizarem a rede para divulgar vídeos dos shows.

É o que eu acho que vai acontecer com o Snapchat. O Snapchat tem mais de 150 milhões de usuários ativos por dia, mais do que o Twitter (que está aí há 10 anos). Uma imensidão assim não sumirá da noite para o dia. É bem verdade que também não há como ter certeza do futuro da rede, mas pensar de forma otimista é uma das possibilidades para quem não quer ficar órfã da mídia.

Inspire pessoas: Serena Williams recita “Still I rise”

Neste sábado, Serena Williams venceu pela 7ª vez Wimblendon e levou para casa seu 22º prêmio “Grand Slan”. Agora ela se iguala à tenista alemã Steffi Graf como a maior vencedora da Era Open de tênis do mundo (nos torneios masculino e feminino). Serena é uma inspiração para milhares de mulheres atletas de todas as modalidades, pelo seu foco e sua força.

No vídeo abaixo, enquanto ela recita com a grandiosidade que lhe pertence o poema “Still I rise” de Maya Angelou (veja a tradução aqui) podemos ter uma ideia do quanto ela treina, se esforça e sofre para ser o que é.

 

Não é nada complicado descrever Serena. Ela foge do padrão das jogadoras de tênis, se destaca. Mais parece uma guerreira do que uma atleta, ela vibra. Deus, como é contagiante! Que a jornada de vitórias dessa grande atleta nos inspire a ter disposição para manter foco nos objetivos e força para alcançá-los.

Radiohead e Netflix fugiram do óbvio e buscaram os nichos.

Há muitos aplicativos de redes sociais por aí, mesmo que a gente ouça falar apenas de Facebook, Instagram, Youtube e Snapchat. O Twitter ainda existe? Sim, nesse ano ele completou dez anos e adicionou novas funções ao seu escopo. O Tumblr, a digievolução do fotolog, como está? Bom, agora o blog permite integrar vídeos do Youtube, YouNow, Kanvas e Upclose. E o Pinterest, aquele grande painel de coisas que você nunca terá, como ficou? Olha, o número de usuários neste ano no Brasil dobrou em relação ao ano passado. Foram 33 milhões de fotos publicadas por usuários brasileiros até janeiro, e o número só cresce.

Pois onde estão essas pessoas que usam todos esses aplicativos? Elas estão por aí em seus nichos, envolvidas na diversidade e nas possibilidades da internet, onde há espaço para todos, basta chegar.

Algumas marcas já entenderam o grande potencial de desenvolver ações voltadas para aplicativos que não atingem o grande público, mas que direcionam a mensagem para um público específico, muitas vezes mais qualificado. Aqui no Brasil o Vine pode ter “morrido” ou diminuído desgraçavelmente em número de usuários, mas nos Estados Unidos um astro da rede vai ganhar série própria na Netflix.

NEW YORK, NY - NOVEMBER 02: Cameron Dallas attends AOL Build to discuss his film 'The Outfield' at AOL Studios on November 2, 2015 in New York City. (Photo by Daniel Zuchnik/FilmMagic)
Cameron Dallas

Cameron Dallas começou a ter notoriedade no Vine em 2013, quando começou a publicar vídeos dele pregando peças em amigos e familiares, e desde então fez participações em filmes e séries de TV americana. A sua série na Netflix vai mostrar como é a sua vida e explorar o contraste entre sua personalidade online e offline. Uma espécie de reality show como o da família Kardashian. Alguém duvida que vai fazer sucesso entre o público jovem?

Outro exemplo de uso inteligente das redes sociais de nicho é a banda Radiohead que, se antes não queria que suas músicas tocassem no Spotify, hoje encoraja que seus fã filmes seus shows usando o aplicativo Periscope, a plataforma de vídeos ao vivo do Twitter. Para a ação, a banda está disponibilizando Wi-Fi grátis nos shows e os fãs só precisam mandar uma mensagem para @doorisnowclosed, no Twitter, para conseguir a senha ou pegá-la no W.A.S.T.E. Central, o website do grupo.

A ação da banda é oposta ao posicionamento de outras, que pedem justamente o contrário: que os fãs evitem filmar e aproveitem o show. Ao que parece, a banda resolveu parar de evitar a internet e se juntar a ela. Como resultado, o número de transmissões ao vivo pipocaram no Periscope e repercutiram mundo afora.

Ainda há dúvidas de que a heterogeneidade da internet está aí para agregar? E você? Ainda quer continuar no óbvio?

Taylor Swift, Calvin Harris e a arte de terminar um relacionamento na era digital

Imagino que deve ter sido doloroso para Calvin Harris ter descoberto que a sua ex-namorada de apenas duas semanas já está envolvida sexualmente com outro e pior, a internet guarda provas de que ela já estava “envolvida” antes mesmo de terminar o namoro.

Há seis semanas, Carlos Souza, um embaixador brasileiro da marca Valentino, postou em seu Instagram um vídeo de Taylor Swift e Tom Hiddleston “quebrando tudo” numa pista de dança. Calvin não aparece no vídeo. Até a finalização desse texto, o vídeo teve 32.7k de visualizações.

Não há prova de fidelidade, apenas de infidelidade. E a internet está aí para aguçar o ciúme e a curiosidade alheia. Uma pessoa verdadeiramente ciumenta não iria se satisfazer até encontrar a prova cabal de que foi traída, em um mundo em que todos carregam uma câmera fotográfica e uma plataforma de divulgação no bolso. A dor prazerosa de ter a sua suspeita confirmada é especialmente interessante, porque quando ela vem, ela vem em público.

A prova ocular saiu nessa quinta-feira, 16 de junho, em fotos publicadas em tabloides e na internet: Taylor e Tom se beijando em meio às pedras de Rhode Island. Você provavelmente leu que o tweet anunciando a separação publicado por Calvin Harris que dizia “what remains is a huge amount of love and respect” foi apagado, assim como todas as fotos dele e de Taylor publicadas em suas redes sociais. Ele também deixou de seguir a ex.

Mas o vídeo de Carlos Souza ainda está online, mostrando tudo o que Calvin não viu no que ele viu.

Nós, que apenas assistimos ao desenrolar do relacionamento, nos identificamos com uma ou mais peças da história. Deletar ou publicar fotos na internet enquanto se está apaixonado significa muito mais do que apenas uma atualização de status. Quando no início de uma relação, estamos tão empolgados e felizes que não resistimos em publicar pelo menos uma foto com o parceiro/a nas redes sociais.

Jantares românticos, presentes, viagens juntos, etc. Tudo serve como motivo de documentação desse amor e, quem sabe, ganhar alguns likes. É importante para a maioria das pessoas, até para validar se a relação que estão tendo é aceitável pelo próprio círculo de amigos.

Deletar essa documentação demonstra uma tristeza tão sentida quanto a felicidade que houve um dia. Calvin Harris provavelmente está tão magoado e irritado a ponto de querer esquecer e não ser lembrado de todo o relacionamento, das demonstrações de amor que deu. Infelizmente as imagens do que viveu com Taylor ainda vão reverberar na internet por muito tempo.

Segundo a escritora e pesquisadora Moira Weigel, a emoção de compartilhar parte de nossa vida na internet, que antes era guardada para os relacionamentos mais próximos, vem da nossa vontade de exposição. Somos uma espécie de contato, e os próprios meios de comunicação social investem nesse apelo (muitas vezes sexual) como forma de convencer novos usuários. Basta pensar o quão excitante é receber notificações de novos likes.

Mas precisamos ter em mente: relacionamentos podem acabar, mas Facebook detém suas informações para sempre.

SENHOR ASH E A MELHOR MEMÓRIA DE LONDRES

Faz quase dois anos. Era férias do curso de mestrado e a gente tinha juntado uma grana para conhecer Londres, nossa primeira viagem para outro país do intercâmbio. Planejamos os lugares que íamos conhecer, o hotel em que íamos ficar hospedados, o percurso do aeroporto a ele. Mas não deu certo. Como eu fui aprender mais a frente, a gente tem que quebrar a cara um pouco antes de fazer as coisas acontecerem de verdade – para tudo na vida.

Chegamos no Stansted (que fica bem distante do centro) e pegamos um ônibus que nos levaria a Baker Street e depois um metrô que nos levaria a Wembley Station. Só que há duas Wembley Stations em Londres, e a do nosso hotel não era aquela do mapa. Mal tínhamos chegado e já estávamos perdidos. Não sabíamos como fazer para chegar no lugar certo, que descobriríamos depois estar a alguns quilômetros de distância.

Então, saltamos na Wembly Station e demos de cara com o estádio, lindo. Ele tinha acabado de ser reformado e usado nas Olimpíadas, e serviu de consolo para o desespero de estar perdido no meio de tanta gente. Depois de tirarmos algumas fotos, seguimos adiante rumo a alguém que soubesse onde a gente estava e onde tínhamos que estar.

Depois de andar uns 15 minutos achamos um mercadinho, parecia seguro perguntar. Vinícius falou com o vendedor, mas foi um cliente que respondeu: ele morava perto da estação que a gente estava procurando e podia nos dar carona até lá.

– Aonde!! Eu não vou entrar de carona nesse carro nem com a zorra. Não conheço esse cara! Quem é ele pra ficar oferecendo carona assim? – A criação meio neurótica da minha mãe tinha dado certo, “não converse nem aceite carona de estranhos”. Muito menos do outro lado do mundo. Eu estava apavorada.

Mas ele foi insistente.

Era um paquistanês de mais ou menos 50 anos. Estava acompanhado da irmã, num carrinho compacto duas portas. O nome dele era Ash e parecia ter boas intenções.

– Minha filha, eu moro nessa cidade há 30 anos. Vim aqui no mercado com minha irmã. Olhe o meu carro, eu não vou fazer nada com vocês.

Foi uma boa observação, aquele carrinho não corria muito. Nem a irmã dele parecia fazer parte de nenhum grupo de contrabando de gente. Mesmo apavorada, eu aceitei. Fui segurando a mão de Vinícius o caminho todo, e puxando papo para conhecer melhor aquele senhor que se mostrou muito prestativo, mesmo sem deixar de desconfiar por nem um segundo.

Ele foi o primeiro da família a ir morar em Londres, foi estudar. Depois, os outros irmãos foram para a casa dele também para fazer a vida. A cidade já era muito grande desde quando ele tinha chegado ali. “As vezes assusta”, ele comentou, e eu assenti.

Quando chegamos na sua casa foi uma mistura de alívio e alegria. Estávamos a salvo e mais perto do hotel, e o anfitrião fazia questão que caso acontecesse alguma coisa fóssemos na casa dele pedir ajuda, ele estaria nos esperando.

– Agora desçam essa ladeira e virem à direita, o hotel é logo ali. Não posso oferecer um chá porque já estou de saída, só vim trazer minha irmã em casa.

Como eu queria abraçar senhor Ash. Ele se importava com a gente! Eu estava feliz de ter chegado são e salva, poder ligar pra minha mãe e dizer, “tá tudo bem, foi só um susto”. Mas minha emoção se resumiu a um aperto de mão caloroso, e seguimos caminho.

Deu tudo certo. Chegamos no hotel e catamos todos os mapas disponíveis. De agora em diante hotel, só próximo do centro, e pegar mapas impressos é a primeira coisa que se faz quando chega numa nova cidade. Aí, voltamos a Baker Street para conhecer mais sobre Sherlock Holmes.