• Contos

    Paciência

    Num hospital de atendimento de emergência ortopédica, ainda cedo pela manhã, havia alguns senhores e senhoras de idade, um menino com o braço quebrado e uma moça acompanhada do seu pai. A espera por atendimento na recepção era de mais ou menos uma hora. As pessoas chegavam, entregavam a carteira do plano de saúde e a identidade, sentavam-se para aguardar serem chamadas e preencher uma ficha, para então aguardar pelo atendimento. A moça, Marina, estava ali com dor na coluna lombar que aparentemente surgiu do nada, mas já era velha conhecida. Ele teve um episódio de crise aos vinte e poucos anos que agora, aos quase trinta, parecia que ia…

  • Contos

    A única certeza

    Há momentos da vida em que é preciso ter a sensação que você está prosperando, indo de encontro a tudo o que lhe prometeram e lhe é cabido. Mas quando você rema, rema e não sai do lugar, como lidar? Foi assim que Fabrício estava se sentindo depois de ter recebido um telefonema que o deixou sem chão por alguns segundos. Aquele estava sendo um dia exaustivo, ele passou a manhã numa reunião improdutiva que só lhe rendeu um pensamento “quanto dinheiro parado”. Foi ideia dele chamar o cliente para conversar porque não era possível que o pagador estava “teimando em fazer errado”. Queria explicar a melhor forma de resolver…

  • Contos

    Nunca peça desculpas por como conseguiu sobreviver

    Relacionamentos ficam melhores com o tempo. Não porque as coisas se ajustam e os problemas vão embora. Mas porque depois de um tempo convivendo com a pessoa amada, você aprende (ou deveria) a conhecer melhor aquela pessoa e passa a entender como se dão as situações de crise. Passando por um bom número de situações de crise e continuando com o mesmo relacionamento por vontade própria, você desenvolve (ou deveria) auto-estima suficiente para aceitar os defeitos e mal-feitos  do outro, sem se sentir diminuído, ainda que machucado.

  • Contos

    Volta pra mim

    – Claaaara! Claaara! A essa hora da madrugada o bairro inteiro já estava dormindo e apenas uma janela remanescia com a luz acesa, e não era a de Clara, era a de outro quarto na casa ao lado. Mas Luiz não se importava. Ele havia tentado falar com Clara a noite toda sem nenhum sucesso, agora se encontrava na rua dos Araçás, num bairro residencial de casas, às três da manhã gritando o nome da moça. O breu da rua era evitado por aquela única janela e por um poste a quinze metros de distância, mas ninguém se importava.

  • Contos

    Quase trinta

    Agora que chegava aos trinta pensou que nunca esteve pior, pelo menos no que diz respeito ao físico. Tinha parado de praticar academia há seis meses e restavam apenas as caminhadas às seis horas da manhã, três vezes na semana, sozinha, enquanto todos da casa dormiam. A disposição gerava alguma admiração entre os familiares mas não lhe rendia frutos. Não conseguiu reduzir nem um centímetro sequer do corpo e, apesar da insatisfação, continuava com a rotina porque pior sem ela. Um triste dia, cansada de imaginar que em algum momento da juventude tivera um corpo magro e que nunca mais voltaria a ele, resolveu fazer algo a respeito e se…