Skip to content

Para marcar o tempo (1)

Paulo Gustavo morreu ontem e eu passei o dia com vontade de chorar mesmo não entendendo ele como artista. Meu tipo de humor é diferente do mundo de gente que está sentindo tanto e me fazendo sentir também.

Hoje foi um dia esquisito em que as coisas que estavam previstas não aconteceram e outras que eu não esperava me pegaram de surpresa, me irritaram, me tiraram a vontade.

Acho que nunca vou conseguir conquistar alguma coisa que demande esforço porque não tenho a persistência necessária para não desistir. Admiro quem tem paciência de vencer o tédio, a contrariedade, o ciclo de erros.

Sou feito fogo que consome tudo de uma hora para a outra e termina o que começou em segundos. Se a minha busca demora o tempo de uma construção, tijolo por tijolo, eu queimo o combustível e fico pelo caminho.

O espaço de escrita de Woolf, Austen, Angelou, as Brontë e mais

Criar uma rotina de escrita ainda é algo que tenho muita dificuldade, principalmente porque com casa, trabalho e casamento, ainda não consegui ter um lugar ou horário certos para fazer isso. Muitas vezes escrevo enquanto faço caminhadas pela manhã, fazendo anotações no celular, e só depois, nos intervalos do trabalho, consigo passar a limpo.

(mais…)

A escrita é o meu aborrecimento

Nem todo mundo sente o prazer da leitura de um texto bem escrito. Digo isto por experiência própria. Só uma pessoa na minha família de quase cinquenta pessoas têm uma ligação com a palavra escrita assim como eu. Minha avó materna, noventa e dois anos, é uma leitora compulsiva. Foi ela quem me deu meu primeiro livro de presente. Ela também que me deu meu primeiro dicionário quando eu estava com dificuldade de escrever as redações do colégio. E ela, neste meu último aniversário, me deu o melhor livro da pilha de presentes: Grande Sertão Veredas.

(mais…)

Léxico familiar em tempos de pandemia

Sempreque vê uma coisa engraçada e fora do comum, minha mãe tem costume de dizer “que miséria!”. Aprendeu com uma amiga do ex-trabalho e passou para eu e minha irmã como se fosse uma gripe. Por impulso, a gente repete as mesmas palavras fora do ambiente familiar e a exclamação divertida causa estranheza por estar associada a uma palavra tão triste. Quem não tem o costume, só depois entende que é para rir.

Comecei a prestar atenção nessas palavras que só tem significado para meu grupo íntimo quando terminei a leitura de Léxico Familiar de Natalia Ginzburg (que li para o clube da pós de escrita).

(mais…)

Join the discussion