Bom para o fim de semana

Uma matéria – Filha busca Justiça histórica para pai, que matou Euclides da Cunha

Eu não sabia, mas o escritor Euclides da Cunha morreu em um duelo após ser abandonado pela esposa. Ele tinha ido “defender a sua honra” e acabou morto com um tiro no peito. Apesar de ter sido legítima defesa, o homem que matou Euclides ficou com fama de assassino por toda a vida, e a vida de seus filhos. Nessa matéria da BBC dá para saber como tudo aconteceu de verdade.


Um filme – Rei Leão 1994

Eu assisti à primeira versão de Rei Leão com o intuito de relembrar e comparar com a que estreia nessa quinta-feira. Na primeira vez que vi, eu não tinha seis anos. Dessa vez, me emocionei muito e achei a história sensacional! Se a nova versão for igualzinha, já vai ser perfeita!


Uma entrevista – Lewis Hamilton no programa de David Letterman da Netflix

Eu sou fã do esportista Lewis Hamilton, mas depois que assisti à entrevista de David Letterman virei fã também da pessoa. O programa consegue mostrar também a relação dele com o pai, com o ídolo Ayrton Senna e com a pressão de um ano de campeonato. Superdivertido!


Outra entrevista – João Gilberto em 1972

Dizem que João Gilberto não tinha noção da importância que a música dele teve para a música brasileira, mas não parece ser verdade. Ele era tão obcecado com a perfeição de suas apresentações porque sabia qual era o seu melhor e não aceitava nada abaixo disso. Essa entrevista mostra uma época em que o músico voltava para uma série de shows (que acabaram não sendo realizados), após 10 anos morando nos Estados Unidos.

Fleabag é meu spirit animal

Em dois dias eu assisti às duas temporadas de Fleabag, disponíveis na Amazon Prime e no Youtube, e fiquei encantada. A série conta a história de uma mulher de espírito livre que não obedece as regras impostas ao feminino (bela, recatada e do lar) passando por problemas econômicos e de relacionamento após a morte da sócia/melhor amiga. Tanto drama vem também carregado de muito humor e faz com que seja fácil que o espectador se identifique com Fleabag (personagem criado e estrelado pela britânica Phoebe Waller-Bridge).

Eu não comprei a história de primeira, em parte porque já tinha assistido Girls e todas aquelas cenas de sexo/exposição de corpo desnecessárias e parte porque virginiany e pouca flexibilidade moral. Não lido bem com personagens que sacaneam em benefício da trama, para mim um “erro” por si só não é motivo para nortear uma história. Errar é humano, mas burrice tem limite, geralmente aquele em que você se deixa errar porque é, sim, um escroto. E é bem aí onde está a inteligência da série.

Fleabag é uma escrota que se permite ser, e por isso está lidando com as consequências como adulta, sem se fazer de vítima ou diminuir sua culpa. E quando foi possível uma mulher viver dessa forma sem ser julgada? Só na televisão. Na primeira temporada, há uma cena em que Fleabag se masturba enquanto assiste um discurso de Barack Obama, com o namorado ao lado dormindo (!). Todo mundo tem pensamentos eróticos obscuros que tenta ocultar até para si mesmo, e assistir uma mulher agir assim “fora da lei” do macho alfa é maravilhoso.

As mina pira nessa personagem que faz o que der na telha sem se importar com o que os outros pensam, eu com certeza. Num mundo em que querem controlar o que a gente come, veste, fala, escreve… Fleabag é o nosso spirit animal. Inclusive, em homenagem a ela, neste texto tomei a liberdade de escrever palavrões.

“Jantar em família esquisito”, leia a transcrição em português aqui.

Meu companheiro, O Pintassilgo

Dia desses vi num teste do Buzzfeed o nome de um livro que meu marido tinha na estante, e prontamente peguei para ler sem saber do que se tratava, O Pintassilgo. Como estou de férias all by myself, o livro virou minha companhia inseparável durante uma semana, ocupando o lugar do trabalho, um respiro em meio ao monte de nadas para fazer. Com ele vivi momentos angustiantes e muito felizes, fiquei melhor amiga-platônica de Theo, sofri pelas situações difíceis que a vida o colocava, torci para que conseguisse encontrar um lar ou alguém que lhe trouxesse apoio e condições de levar a vida de forma limpa.

Mas também o livro foi, para mim, meio que um exercício masoquista. Diferente do que foi para o personagem, eu sempre achei importante se manter nos trilhos mesmo que isso signifique a chatice, o tédio, a depressão. Eu sabia disso desde os treze anos, na mesma idade em que os eventos começam a acontecer com o garoto. E ele também parecia saber ou ter alguma noção do certo/errado, bom/ruim, saudável/morte, mas de alguma forma não buscava o equilíbrio – eu já o buscava desde nova.

Acho que, de alguma forma, era isso o que Donna Tartt, a autora, estava buscando: escrever uma história para mostrar como as experiências que vivemos nos ajudam a formar um caráter e entender como levar a nossa vida. Olhando por outro ângulo, a história me deu a oportunidade de “presenciar” situações que eu jamais vivenciaria, mesmo porque nunca sofri com os traumas de uma violência que me tirasse a minha sustentação familiar. Pensando assim, me sinto afortunada.

Mal posso esperar para ver a versão cinematográfica do livro, O Pintassilgo deve estrear em 10 de Outubro aqui no Brasil, com Ansel Elgort (Theo), Jeffrey Wright (Hobie), Nicole Kidman (Mrs Barbour) e Sarah Paulson (Xandra). Enquanto tirava uma folga das 722 páginas (o livro pode ser cansativo quando os períodos de angústia de Theo se tornam páginas de blocos de caracteres) e buscava spoilers para conter a minha ansiedade, fiquei buscando imagens das filmagens e outras informações na internet. Fiquei curiosa para saber quanto do livro vai estar na tela e como eles vão fazer para “terminar” a história. Fora que ver o filme vai ser uma nova chance de eu encontrar meu amigo novamente.

A feminista que escreveu Americanah

Semana passada eu terminei de ler Americanah e fiquei encantada. Não era um livro que eu tinha comprado porque eu queria muito – eu ganhei de presente porque meu marido viu na lista dos livros lidos por Barack Obama em 2018 – mas logo nos primeiros capítulos foi uma história que me fez cair de amores. Para minha surpresa era um romance (!) e falava sobre a vida de uma moça nigeriana indo fazer faculdade nos Estados Unidos – vivendo um bocado no meio do caminho – e depois voltando para casa.

Que coisa mais linda! A vida de Ifemelu serve de base para Chimamanda Ngozi Adichie se aprofundar sobre questões raciais: como a sociedade americana trata os negros afrodescendentes e os africanos; O que significa ser uma pessoa negra nos Estados Unidos; O que significa ser uma mulher negra; O que significa ser uma imigrante de um país africano. Tudo com doses de humor, muito pensamento crítico e pitadas de romance. Eu dormia e acordava pensando nesse livro.

Lembro que a primeira vez que vi Chimamanda foi numa entrevista que Jorge Pontual tinha feito para divulgar Americanah no programa Milênio da Globo News. Mesmo pegando só um pedaço, fiquei admirada com a figura da escritora, bonita, inteligente, dona de si. A voz dela, voz de pessoa bem educada, me fez querer ficar ouvindo o que dizia por horas – trouxe aqui o vídeo, no fim do texto. Além desse livro, Chimamanda tem mais cinco – entre eles um manifesto pelo feminismo (Para Educar Crianças Feministas – Um Manifesto) e outro sobre uma guerra civil nigeriana (Meio sol amarelo) que também foi adaptado para o cinema.

Essa feminista maravilhosa é uma sensação na internet, desde dezembro de 2012 ela virou viral após dar uma palestra no TED – We should all be feminists – e parte do seu discurso acabou sendo citado na música Flawless de Beyoncé (!).

Nós ensinamos meninas a se esconderem, a se diminuírem. A gente diz “você pode ter ambição, mas não muito. Você pode ter sucesso, mas não tanto sucesso. De outra forma, você vai ameaçar os homens”. Porque eu sou mulher, esperam que eu queira me casar. Esperam que eu faça minhas escolhas sempre pensando que o casamento é o mais importante. Agora, casamento pode ser uma fonte de alegria, amor, suporte mútuo, mas porque a gente ensina as garotas a quererem casar e não ensina os garotos também? A gente cria garotas para ver umas as outras como competidoras mas não por trabalhos ou realizações, o que poderia ser uma coisa boa, mas por atenção dos homens. A gente ensina que garotas não podem ser seres sexuais como os homens são. Feminista: pessoa que acredita na igualdade política, social e econômica dos sexos.

Depois que assisti a todos esses vídeos eu percebi porque o livro me encantou logo no início. Chimamanda tem uma doçura ao falar sobre assuntos tão caros, uma forma sutil e verdadeira de abordagem. “O problema do gênero é que ele acaba determinando quem devemos ser, em vez de reconhecer quem somos.” Quer ideia mais doce do que pensar a construção da sociedade sob a visão dos interesses pessoais e não sob as expectativas de “o papel do homem” e “o da mulher”? Agora eu sei como quero criar meus filhos.


Histórias de amor moldam a gente

Na última edição da newsletter Women Who (que tem ótimas dicas de aperfeiçoamento profissional para mulheres) eu conheci a escritora inglesa Dolly Alderton e seu podcast Love Stories. A proposta da série de entrevistas é conversar com personalidades sobre como os relacionamentos que elas viveram moldaram suas vidas. Como eu adoro uma DR, eu achei o título do podcast bastante sugestivo e comecei logo a ouvir. O primeiro episódio foi com a atriz e amiga da entrevistadora Vanessa Kirby (a ~perfeita~ Margareth de The Crown, Netflix).

Nesse podcast, Vanessa fala muito sobre como a intimidade é um combustível para os relacionamentos; sobre como amizades, relações entre familiares, namoros e casamentos são construídos sob a base da confiança que advém da intimidade. Ela acredita que quando a intimidade entre duas pessoas se torna tão forte que elas se permitem confiar mesmo sabendo que o outro vai decepcionar em algum momento. E mesmo decepcionando, quando amor resultado dessa intimidade é maior do que a decepção, faz com que a pessoa fique e se mantenha na relação.

Mas Vanessa também pontua que para ser íntimo de alguém é preciso se conhecer intimamente, saber o que você é e o que você quer para a sua vida, até para encontrar outra pessoa que esteja de acordo com a sua busca. “Para estar ao lado de alguém que está de pé, você precisa estar de pé. Assim como para estar do lado de alguém que está sentado, você precisa estar sentado”, ela fala.

Eu achei essa conversa entre amigas muito bonita porque foi muito sincera e ressonou em coisas que eu também acredito. Enquanto ouvia fiquei pensando em quantas vezes eu buscava intimidade com pessoas que não estavam de acordo com o meu mundo e o quanto eu sofri por isso. Na escola, na faculdade, no trabalho. Eu buscava fazer amizades mas eu não me conectava com as pessoas. Muitas vezes porque eu não sabia o que estava procurando ou não sabia que ali não era o lugar de encontrar o que eu queria.

Ao mesmo tempo, pensando rapidamente na minha história de vida, em pelo menos três momentos eu encontrei pessoas com quem tive facilidade de criar intimidade e estão presentes em mim até hoje, mesmo que à distância. Uma grande amizade aconteceu na escola e eu a encontrei enquanto procurava constantemente em muitas outras pessoas que não eram o que eu buscava, o que me deu uma grande alegria de descoberta. O primeiro amor correspondido eu encontrei quando não estava mais a fim de procurar e resolvi dar uma chance a uma amizade que estava ao meu lado, o que hoje vejo foi muita sorte porque me deu a felicidade de um casamento. A mais recente amizade se deu com a minha dupla no trabalho, que virou família e já mudou de emprego quando encontrou outra oportunidade.

Todos esses encontros me decepcionaram de alguma forma, mas a intimidade e o amor de cada relação criaram elos que não me deixaram fugir e eu aprendi a lidar com as decepções para poder continuar. No episódio, Vanessa conta que também aprendeu a lidar com suas decepções encontrando força no autoconhecimento. “Ninguém pode te fazer sentir nada, apenas você pode decidir como se sentir”, ela explica, e eu concordo. Mas para mim, é preciso de uma dose de autoconfiança, para chegar nessa descoberta de que ninguém precisa do outro para ser feliz, precisa apenas de si mesmo. Acho que tem a ver com você se conhecer tanto a ponto de entender que não é aquela pessoa em especial que torna você ou o seu dia a dia mais feliz, é você mesmo.

No fim das contas você vive momentos de felicidade porque encontrou aquilo que buscava – e a vida é isso aí, uma eterna busca. Então, quando essa felicidade vai embora você tem que encontrar outros motivos… seja buscando o novo, quando se está só, ou buscando o equilíbrio, quando se está acompanhado.